Rakarrack – Processador de Efeitos para Guitarra no Ubuntu

Há tempos eu andava querendo fazer umas gravações de áudio, testar uns efeitos novos com a guitarra e tudo mais, mas a preguiça não deixava. A preguiça e a falta de um adaptador P10->P2, agora devidamente emprestado de um amigo até a Eletrônica Yama decidir abrir no horário de almoço (leia-se: nunca; perdeu, Elton!).

Aí, pra encher uma linguiça aqui no blog eu decidi explicar como fazer funcionar esta merda coisa linda de deus que é o Rakarrack. Funciona bem, acredite.

Passo 1: Instalação do Rakarrack
Me nego a dar muita explicação. Abra o Ubuntu Software Center e instale o programa; ele já vai instalar todas as dependências (inclusive o QJackCtl, de quem eu vou falar daqui a pouco).

Passo 1

Ignore o “Remove”; vai aparecer “Install”, eu juro!

Pra tranquilizar os mais desconfiados: você está conectando uma guitarra no seu micro, que vai passar por uma placa de som (onboard ou não), terá a entrada processada por um processador (jura?) de efeitos e só então terá uma saída. O delay é praticamente inevitável. O passo 2 e o 3 que faremos adiante servem pra evitar este delay. Se a sua máquina não for uma grande porcaria, ele vai sumir; caso contrário, vai ficar um pouquinho atrasado (milissegundos, nada que atrapalhe o músico amador).

Passo 2: Configuração do QJackCtl
Aqui começa a magia do negócio. O QJackCtl é o cara que vai controlar as conexões de áudio de hardware e dos softwares que as utilizam; ou seja, ele é o middleware responsável por dizer que a entrada de microfone ou line-in do teu micro vai ser a entrada do Rakarakk, e que tuas caixas de som serão a saída dele. Abra o QJackCtl, clique em Setup, e na aba “Settings” garanta que o parâmetro Realtime esteja ativo.
Passo 2

Assim, oh!

Passo 3: Edição do arquivo limits.conf
Abra o arquivo (como super user) /etc/security/limits.conf e inclua, quase no fim do arquivo (você vai saber onde, confie em mim) as duas linhas abaixo:

@audio    -    rtprio    100
@audio    -    nice      -10

Passo 4: Quem que liga o que no que e aonde?
Lembra que eu falei que o QJackCtl era o cara que diz quem que liga o que no que e aonde? Se você não lembra, clique aqui e volte ao passo 2. Se lembra, ignore minha piada sem graça e plugue sua guitarra no Line-In ou Mic do seu PC. Como? Com isso:

O plug que roubei do Elton. Recicle: não compre um novo, roube um também.

Abra também o Rakarrack. No QJackCtl, clique em Connect… e faça os ajustes necessários pra que a sua configuração fique assim:

Passo 4

Meu micro tem entrada dianteira e traseira (ui!). Se o seu PC for menos sexualmente liberal que o meu, haverá uma só configuração pra cada device.

Passo 5: A diversão!
Com o Rakarrack já aberto, aperte o FX On e abandone o Guitar Hero que papai lhe deu de natal. Um screenshot, pra ninguém dizer que eu não avisei que ele não é lá muito bonito:

É igual a trator: pra passear é uma merda, mas pro trabalho é um espetáculo!

O site oficial do bichinho é feio de dar pena, mas tem bons tutoriais pra ir se acostumando com os efeitos. Pra brincar com os efeitos, escolher um pedal novo, fazer uma gravação sem ter que montar aquela pedaleira que mais parece um piano, não tem coisa melhor.

E tá bom pra hoje. Inté! o/

Greve no transporte sempre dá certo… sabe o motivo?

Não há melhorias na qualidade do transporte coletivo e sempre haverá greve nos transportes – e sempre vai acabar em aumento; se não de passagem, ao menos de ganhos pra categoria – por um motivo simples: quem PAGA, não usa; e quem USA, NÃO PAGA.
Tem lá o desconto de 6% do salário do campeão que vai pro trabalho de ônibus. Mas quando os 6% chegam à integralidade do pagamento, normalmente este ser já nem precisa pagar pelo transporte coletivo, ele já está usando um meio de transporte próprio.
Sobram os que pagam o transporte integralmente do próprio bolso – uma miséria de gente; os alunos do ensino médio e anteriores, cujo pagamento – da meia – é feito geralmente pelos pais; e alunos de curso superior, cuja passagem é paga pelos pais ou por eles mesmos – isso quando não têm bolsa ou algo do gênero que lhes forneça isso.
Então, o grevista para o ônibus; o estudante reclama do valor da passagem, mas em geral nem sai do bolso dele. Não que eu ache a luta injusta – e não acho, mesmo – mas se ele não paga, porque raios alguém iria dar ouvidos pra ele?
O patrão é que está sofrendo com isso: os empregados dele não estão conseguindo chegar ao trabalho.
“Ah, mas sai 6% do meu salário!”. Eu sei, magrão, já falei isso ali em cima. A questão é que são 6% DO SALÁRIO. Se a passagem subir pra 500 reais o trecho, pra ti não muda nada. Muda pro teu chefe.
“Ah mas ele pode descontar meu dia de falta”. Campeão, se você acha que isso é vantagem pro patrão, eu tenho uma notícia ruim pra te dar sobre sua visão de profissionalismo…
O pai paga pro filho estudar; o patrão paga pro cidadão trabalhar; o estudante é que vai pra rua reclamar do preço da passagem. Nem o patrão nem o pai têm tempo (e nem vontade, a bem da verdade) de ir pra rua brigar. O pai tem que sustentar o guri que botou no mundo; o patrão tá sofrendo no ar-condicionado do carro. Eles só querem o filho estudando e o cara trabalhando. Eles vão arcar com o custo de boca fechada. Ninguém tem motivo pra ouvir os estudantes.
Novamente: não julgo a nobreza da causa, julgo é a tática e quem a aplica. Enquanto os estudantes – e só eles – estiverem de fato lutando pela melhoria do transporte público, lamento – essa é uma luta vã.

(…)
E a essa altura, você, nobre transeunte que por estas bandas trafega, que teve coragem de ler isso tudo, deve estar se perguntando: “Ué, o Léo não xingou ninguém no post… que bizarro!”
É, amigo… não tá fácil pra ninguém! Tô economizando até na neurastenia…