Experiências antropológicas nas baladas

Eu, que saio muito raramente e tenho essa mania imbecil de analisar o comportamento das pessoas, me divirto mais assim que com a festa propriamente dita.

Se você, nobre amigo, vai a uma casa noturna, vá preparado para tomar uma pisada no pé, um empurrão sem intenção de algum passante ou até um mini-banho de cerveja ou qualquer outra bebida. E vá preparado pra ser o corredor da balada – eu, que sou baixinho, sei muito bem o que é isso. É o que acontece nesses lugares, já que o lugar está lotado, e em geral o povo bebe e perde a noção de espaço e equilíbrio.
Irritar-se é opção sua. Eu sugiro que você relaxe e aproveite a noite assim mesmo, sob pena de você passar a noite inteira estressado tentando manter o seu lugarzinho na balada.

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Entretanto, o fato do desenrolar da noite se dar nessas condições não precisa fazer de você um filho da puta mal-educado.
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Se o lugar está apertado, difícil de passar, peça licença. Se não puder ser ouvido, dê um tapinha no ombro, um sorriso simpático, e dificilmente alguém lhe negará a passagem. Se esse alguém lhe negar, dê a volta na pessoa. E todo mundo segue a vida bem e feliz: você, no seu caminho rumo ao nada (porquê em balada se anda assim, a esmo); a criatura antipática, plantada ali naquele canto que ela elegeu como dela e de onde ela não quer fincar pé.

E aí chegamos a uma guerra de sexos fascinante:
– Você é HOMEM e pede passagem para um HOMEM: a passagem jamais lhe será negada, a não ser que o cidadão esteja acompanhado. Entretanto, ela raramente lhe será facilitada: você terá que passar se arrastando feito uma jibóia por entre as pessoas;
– Você é HOMEM e pede passagem para uma MULHER: se ela estiver entre amigas, a jibóia vai ser o seu provável comportamento final. Se ela estiver sozinha ou entre amigos de ambos os sexos, vai lhe ceder passagem sem muitos problemas;
– Você é MULHER e pede passagem para uma MULHER: se ela estiver acompanhada, vai te fuzilar com o olhar e dificultar tanto quanto possível. As mais vorazes pisarão em você com seus saltos agulha nº 15. O negócio é feroz. Eu não me arriscaria, se fosse mulher. Só se eu fosse muito grande (mas esse é um ponto de vista sobre o qual eu não tenho muito a dizer);

E finalmente:

———- É DISSO AQUI QUE EU QUERO FALAR ———-

– Você é MULHER e pede passagem para um HOMEM: é aqui que a porca torce o rabo. Há uma convenção social (da qual sou adepto, inclusive) de que o ser humano que tem coisas balançando pouco abaixo da linha da cintura deve ser legal, cavalheiro e simpático com aquelas pessoas que nasceram desprovidas de tal artefato.
Até aí, tudo bem. O problema é que nesta regra não há um “se”. Deveria haver – mas não há – um “se” a menina for legal, “se” a menina for simpática ou “se” ela for, no mínimo, educada.

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Isso talvez seja fruto de uma outra convenção das noitadas que diz que, se uma mulher sorri pra um homem, ela quer automaticamente dar pro cidadão. “Gato escaldado”, manja?
O problema é que a mulherada perdeu a noção. Foda-se que o lugar está lotado e você está com uma garrafa de vidro na boca; o importante é que ela nasceu com um corte no meio da anatomia, então ela tem o direito sagrado de te dar um jogo de corpo desproporcional ao espaço da balada e fazer você dar com os dentes na garrafa. Ou lhe dar uma cotovelada de fazer seu fígado se contorcer.
E você só pode sorrir e acenar, feito a Miss Universo. E sim, eu estou generalizando, porquê eu posso. Esse perfil é meu e eu escrevo nele o que me der na cachola. Se eu estou nos seus feeds, é porquê você me lê com frequência, ou o Facebook me jogou aí por um motivo. Seja ele qual for, azar o seu.
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Meninas, não sejam assim. Nem todo cara que lhe dá um tapinha no ombro quer te comer.

A bem da verdade, a grande maioria de vocês não é tão linda ou gostosa quanto pensa que é. Dizem que na balada tem um mar de mulher; eu diria que é um rio, já que o mais falta ali é sal.
No meio da balada, com aquela luz, aquele barulho todo, a galera com a cara cheia de cerveja, vocês são todas meio parecidas. Mais bonitas, mais feias, mais magras ou mais gordas, mas todas meio parecidas. Se o cara mais gato e delício da balada decidiu dar em cima de você e não da sua amiga do lado, não se sinta demais. Há uma grande possibilidade d’ele ter batido o olho em você por acaso e a testosterona ter soado na orelha dele feito um sino.
Vocês acham que se arrumaram lindas, que se maquiaram durante horas, que estão irresistíveis. E vocês estão certíssimas! Mas estão tão certas, que acabaram por ficar todas meio iguais. É por isso que alguns caras vão pra balada, bebem com os amigos, conversam com um monte de gente e vão embora sem sequer tentar ficar com alguém – sem o mínimo de culpa ou arrependimento (exceto pela conta, às vezes).

Seja gentil, se ele o for. Seja educada, se ele o for. Vocês esperam gentileza dos homens, mas cabe a vocês merecer tal tratamento. Não há maior beleza numa mulher que um sorriso simpático e bom humor. Vocês têm luz no sorriso, façam bom uso disso. Um rosto tão lindo (e tão delicada e perfeitamente maquiado, o que deixa suas expressões ainda mais marcantes) fica HORRÍVEL quando você está de cara amarrada. É uma festa, caramba! Sorria, divirta-se! É esse o propósito!

É por isso que os casais mais legais que já conheci nasceram em rodas de amigos, mesas de boteco, ou qualquer outro ambiente onde essa tensão ou cobrança social não é tão intensa. As pessoas saem de casa tentando ser o mais diferente possível das outras, mas só o que conseguem é entrar nesse ciclo pobre de espírito.

Vocês são o centro do universo, meninas, e sabem disso. Mas não abusem desse poder. Não sejam babacas. Nem gente boçal gosta de gente boçal.

— Léo, que foi pra balada ontem, não tentou agarrar ninguém e voltou pra casa sorrindo por passar uma boa noite com os amigos!

E bom dia!

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