Eu quero o escotismo de antes!

Em 2000, quando abandonei de vez o movimento escoteiro, a UEB já andava cagando com o movimento. Lembro inclusive de uma campanha que rolava entre a gurizada mais ligada com os princípios que realmente representavam o escotismo como forma de criar cidadãos mais éticos e responsáveis: “Contra a elitização do escotismo”. Galera inclusive usava isso no traje, e deu problema – neguinho até suspenso foi. Não no meu grupo, à época, até pq lá ninguém usou.
No início do ano passado, no ímpeto de recuperar um pouco das coisas que sempre gostei de fazer, participei de atividades com dois grupos, diferentes dos que eu participava.
No primeiro, ouvi da diretoria que as necessidades dos membros juvenis hoje são muito diferentes; atividades mateiras não deveriam ser consideradas, portanto, a não ser como função recreativa. Ok, opinião dele, mas discordo muito. Como se a atividade mateira não tivesse outras funções além das técnicas.
No segundo, participei – aí sim – de atividade mateira. Encontrei, num ramo sênior, um monte de moleques de 15 anos que tinham medo de se sujar. Bem moleque de apartamento. Mas tudo bem, ninguém é obrigado a gostar disso. O problema foi saber que a diretoria só aceitou acampar naquele lugar, especificamente, por ter chuveiro elétrico disponível e área coberta para o caso de chuva.
Aí agora, 2013, essa discussão sem pé nem cabeça falando do novo uniforme escoteiro. Se está na moda, se não está. Sério, UEB? Sério, membros do movimento? É essa a preocupação hoje em dia? Onde foram parar os valores pregados por tanto tempo?
Sério: Ainda bem que não voltei pro movimento. Sentiria uma vergonha ABSURDA de fazer parte disso.
“Uma vez escoteiro, sempre escoteiro”. Mas se isso é o que chamam de escotismo hoje em dia, reitero o pedido da época em que eu dividia meu tempo com amigos que guardo no coração até hoje:

EU QUERO O ESCOTISMO DE ANTES!

Anúncios

2 pensamentos sobre “Eu quero o escotismo de antes!

  1. Marcelo Olympio disse:

    Leo, primeiro parabenizo pelo blog. Não o conheço e não necessariamente curto as mesmas coisas que você, mas você escreve com uma sinceridade que me agrada.
    Pois bem, ainda faço parte desta fraternidade e muito me agrada como está. O problema destes diretores que conversastes é que não sabem interpretar o material que está à disposição para ‘educarmos’ os jovens. As habilidades mateiras agora não são mais o ‘objetivo’ como foi por muito tempo, e sim um instrumento para chegar no objetivo educacional do ME.
    No próprio nome já diz o que é o escotismo: movimento. Portanto ficar estagnado não é a solução, o que seria do escotismo se ainda utilizássemos tudo aquilo que BP elaborou? Seríamos um movimento militarista que não teria mais nenhuma relação com a sociedade atual. Temos que nos adequar sim à realidade dos jovens desta década, assim como os teus chefes que foram membros juvenis tiveram que se adequar e utilizavam a mesma frase: “eu quero o escotismo de antes!”.
    Quanto aos uniformes… complicado. Mais uma de inúmeras tentativas em repaginar a imagem que passamos. Válida a ideia de dar possibilidades de vestimenta, podendo adequar o uniforme à realidade geográfica e cultural. Mas lamentável os valores impostos (foge ao que se prega teoricamente: inclusão) e a obrigatoriedade em adquirir somente da UEB.
    Felizmente isto não impactou meu GE, que é do Mar e nossas camisas são do estilo da marinha, mas que por questão de custos e similaridade, utilizamos a do motorista da estrela.
    Era isso… hehe.
    Muito bom o blog!

    • Léo Ramos disse:

      HAHAHAHA eu não consegui segurar a risada aqui com a história da camisa do motorista da estrela!!!
      Qual o teu GE? Ilhas Guará?

      Eu realmente não consigo aceitar a elitização que o escotismo vem sofrendo há tempos. Concordo que o movimento precisava evoluir, mas preservar os valores é necessário, a meu ver. Quanto às atividades mateiras, isso era um diferencial do meu GE (Continente, antigo 6 de janeiro): a gurizada era bem “pano-de-chão”, a gente gostava mesmo de se ver cheio de lama. Acho que fazer a gurizada passar um pouco de aperto construiu bem o caráter de boa parte de nós (além de ter sido muito divertido).

      E discordar, claro, não é problema, Marcelo! E obrigado pelo elogio 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s