Das pessoas que não aprendem

Você perde (ou melhor, abre mão) da convivência com uma pessoa, de tanto mal que a criatura lhe fazia.

8 anos se passam.

Involuntariamente, você a encontra. Em 3 minutos de conversa, você percebe que aqueles motivos que te fizeram abrir mão da presença nociva da pessoa continuam lá – e piorados.

Às vezes me pergunto como eu pude me rodear de gente assim por tanto tempo, assim como me impressiono com a quantidade de gente que absolutamente não muda, não melhora, não cresce, mesmo sabendo que prejudica a si e a outros agindo da forma que age.

Tem gente que realmente não aprende. Eu aprendi – ao menos a ficar longe desse tipo de gente.

Que venham mais 8 anos de distância. Pelo menos.

Das lembranças que sempre guardarei – “Antologia da Sátira Brasileira”

Costumo guardar todo e qualquer objeto pelo qual tenha algum apreço. Não importa se ele é útil ou não; se está velho ou se não está funcionando, não importa – se eu gosto, eu guardo. E isso se dá inclusive com meus CDs, discos de vinil, fitas cassete e até video-laser (alguém por acaso lembra dessa aberração?), coisas que hoje em dia eu sequer tenho como usar, já que meus reprodutores de áudio já não suportam essas mídias.

Em 1985, quando eu tinha 3 anos, a BASF do Brasil lançou um documentário sonoro em fita cassete chamado “Antologia da Sátira Brasileira”. Acompanhava a mesma um livreto explicativo. Com narração feita pelo Chico Anysio, ele reúne desde gravações do início do século XX até os primeiros anos da década de 80. Muitíssimo bem organizado, essa obra-prima contextualiza seus itens com os momentos históricos do país de forma que cada sátira, música ou anedota possa fazer todo sentido para qualquer um que o ouve, ainda que não tenha vivido ou sequer ouvido falar de nenhuma dessas épocas.

antologia_capa

Tive contato pela primeira vez esse material em 1988. Sempre fui, desde criança, metido a engraçadinho (como sou até hoje), então esse é exatamente o tipo de material que me faz apaixonar quase que instantaneamente. Aquela pequena fita cassete tinha um valor gigantesco para mim, mas meu pai parecia não dar a ela o devido respeito; o livreto sumiu, e ele deixava a pobre fita cassete misturada a tantas outras da coleção particular dele. Em 1990, num descuido do velho, subtraí a bendita de suas posses para dar-lhe o carinho merecido.

Com o advento do CD a minha esperança era gravar esse áudio nesta mídia, para guardá-lo com mais segurança. Gravadores de CD custavam o preço de um Monza (sem brincadeira) e empresas que prestavam esse tipo de serviço queriam o preço de um fusca velho. E claro que aos 12 anos de idade eu não tinha essa quantia à minha disposição (e também não ia gastar nisso se tivesse, que eu tenho noção do ridículo).

O tempo passou, a Internet apareceu dois anos depois, e com ela a minha esperança de conseguir esse bendito material em meio digital. Assim que tive minha primeira conta de e-mail, não contei tempo: enviei um pedido encarecido (quase implorei, na verdade) à BASF para que me conseguisse esse material de alguma forma. A resposta me deixou triste: a BASF havia encerrado suas atividades de produção de magnéticos no Brasil e, com isso, não possuía esse registro. Ele fazia parte do Projeto Cultural BASF, que foi abandonado no meio da produção e teve todos os seus registros descartados, por mais absurdo que isso pareça.

Tentei, com o passar dos anos, digitalizar o material, inclusive pelo medo de vê-lo destruído pelo mofo ou pela desmagnetização da fita cassete. Os resultados sempre foram precários com relação à qualidade.

Até agora.

Eis que vem 2013 e, com ele, uma uma bendita aquisição: uma interface de áudio que facilitaria meus trabalhos de gravação, dando mais qualidade às captações. Além disso, passei a estudar, de uns meses pra cá, técnicas de gravação, mixagem e masterização de áudio, o que me ajudou muito.

Talvez sejam esses os cinquenta minutos de áudio que guardo com mais carinho. E é por esse motivo que compartilho com vocês esse documento que não pode, de forma alguma, ser perdido.
A produção é da BASF, a transferência da fita cassete para mp3 é minha, assim como a nova masterização, a fim de dar uma melhorada na qualidade – já que a fita já tem quase 25 anos. O tratamento foi feito em 128 kbps, já que o nível de ruído em 320 kbps ficou absurdamente alto.

Espero que gostem. Eu ganhei meu dia – ou melhor, anos de felicidade com essa gravação!
Escutem, e talvez passem dar mais valor à sátira e ao humor. Não é à toa que o humor sempre incomoda tanto os políticos: ninguém esquece uma boa piada.

E divirtam-se! 🙂

Download

Dia de São João (e pra mim, Dia da Música)

Hoje é dia de São João Batista. Não sou católico, quiçá religioso, mas vale aqui um agradecimento ao santo que deu origem às notas musicais, mesmo que indiretamente. Aprendi isso com os padres, e a história é até bonitinha, então eu decidi escrever.

Um frade italiano, Guido d’Arezzo, usou as seis sílabas iniciais de um poema em homenagem ao referido santo para dar nome às primeiras notas. Segue:

Ut queant laxis,
Resonare fibris,
Mira gestorum,
Famuli tuorum,
Solve polluti,
Labii reatum.

Mais tarde foi incluída a nota Si, uma abreviação de “Sante Iohannes”, e substituído o Ut pelo Dó (solfejar ‘Ut’ era incômodo).

O poema, traduzido, diz: “Para que os teus servos possam cantar as maravilhas dos teus atos admiráveis, absolve as faltas dos seus lábios impuros”.

Então, Feliz Dia de São João pra todo mundo, já que, como bem dizia Frank Zappa, “sem música para decorar, tempo é só a monotonia de prazos de entrega e contas a pagar”.

E boa semana 🙂

Sobre a revolta em São Paulo

São Paulo, de novo, se mostrando vanguarda até na hora de tomar pancada na cabeça por um motivo justo. Já o foram no passado; são hoje, novamente. E a truculência policial transformando uma manifestação legítima numa praça de guerra sem tamanho.

Mas eu não tenho nada a dizer sobre isso. O Pedro disse tudo.

Aos meus amigos Felipe, Jean, Clarisse e Ana, rogo que se cuidem.

Acho que pela primeira vez na vida, sinto orgulho do povo do Brasil.

Indo dormir com a voz embargada. Achei que esse dia não fosse chegar nunca.