Da liberação do hotel no Morro da Lagoa

Ok, vamos pensar devagar…

– Uma área pública é cedida ao ilustre jornalista Manoel de Menezes para construção de um hotel.
– Anos depois – como tudo em que ele meteu a mão, diga-se de passagem – o bagulho vai à falência. O tal bagulho falido atendia pelo nome de “Hotel Lancaster”. A bem da verdade, ele não faliu; apenas foi vendido às pressas e a preço de banana a fim de quitar as dívidas contraídas.
– Alguém tenta abrir ali uma boate, anos depois. Corria o boato de que seria um hotel com uma boate dentro. O motivo era simples: se fosse dado ao imóvel destino diferente do anterior, ele deveria ser devolvido à prefeitura, por isso abrir SÓ a boate seria inviável. A inauguração seria em 20 de janeiro de 2001, mas teve a mesma suspensa e o imóvel embargado, assim como as obras posteriores, devido à incompatibilidade do empreendimento com o trânsito local.
– Em 2005, um argentino tentou reformar e reconstruir ali um outro hotel. Não lembro o nome do cidadão, mas lembro bem do caso por trabalhar, nessa época, no cartório de registro de imóveis responsável pela área. Fui eu que atendi o indivíduo que foi em busca do registro do imóvel (já beeeem velhinho, e por sinal muito simpático).
– O tal velhinho chegou a iniciar as obras, inclusive concluindo a fase inicial do projeto (que foi devidamente autorizado pela Vigilância Sanitária à época – foi desse projeto que eu busquei a matrícula do imóvel, já que o velhinho não fazia a menor ideia de qual era).
– Infelizmente, a obra do velhinho foi embargada. O motivo era o mesmo que impediu a abertura da boate em 2001: incompatibilidade do empreendimento com o transito local.
– Em 2012, o mesmo imóvel foi utilizado para a realização do evento “Casa Cor”. Ou seja, já foi dado – indevidamente – um outro destino ao imóvel, mesmo que temporariamente. O que por si só já seria suspeito, até que…
– Eis que agora, em 2013, os irmãos Guga e Rafael Kuerten compram o tal hotel em parceria de um investidor gaúcho. E vão reformá-lo para fazer dele… outro hotel. Maior. Terá, além dos quartos, lojas, restaurantes e um bar.

Aí eu me pergunto: o que mudou de 2001 pra cá? Quais os critérios? O que fez com que o proibido de ontem fosse o autorizado de agora?

Ou, se voltarmos um pouco no tempo: como foi liberada a obra daquele condomínio no início do morro da lagoa, em que tudo era historicamente embargado – até aparecer a mão mágica de uma ou duas pessoas, as mesmas que hoje compraram esse hotel?

Aliás, vale lembrar: o terreno continua sendo área pública; então, sim, nos devem satisfação a esse respeito. Quem pagou? Pagou o que? Pra quem? A quem interessa liberar uma obra já embargada três vezes, somente após ter trocado de mãos?

Como meu pai sempre me disse: “nunca confie em um homem de fala mansa”.

Pra quem leu e não entendeu: preste um pouco mais de atenção nos acontecimentos dos últimos 15 ou 20 anos envolvendo os senhores citados, bem como as famílias dos mesmos. A partir daí, tirem suas próprias conclusões.

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10 pensamentos sobre “Da liberação do hotel no Morro da Lagoa

  1. Aline T disse:

    Em qual Cartório de registro de imóveis encontro estas informações? Como faço a pesquisa?

    • Léo Ramos disse:

      Cartório do 2º ofício do registro de imóveis de Florianópolis. É conhecido como “Cartório Gleci”.
      Fica na rua Gen. Bittencourt, no centro, próximo ao IEE.
      Pra fazer a pesquisa, precisas pedir por uma Certidão de Inteiro Teor do imóvel. Ou, como essa coisa já vem de priscas eras, era bom pedir pelo registro “desde a origem”.
      Não vão constar na matrícula informações sobre autorizações e alvarás, mas as trocas de posse, concessão ou propriedade com certeza estarão lá.
      São 3 matrículas; não sei o número das mesmas, mas com certeza os atendentes do cartório poderão te ajudar.
      Abraço!

  2. Adriano disse:

    O 2º R.I. mudou o endereço, fica na Rua Emilio Blum, 131 Ed. Hantei Office Building – 1º andar – Bloco A, Florianópolis – (48) 3222-4080.

  3. Gustavo Andrade disse:

    O sr. pref. corta o barato da Hantei na Ponta do Coral mas logo oferece uma compensaçãozinha no Morro da Lagoa… e o Cacau Menezes botando lenha no DC na defesa de interesses privados como sempre…

    • Léo Ramos disse:

      Gustavo, eu não tenho certeza, já que não sou a fonte; mas li em alguns comentários de outros sites que essa liberação é do final do ano passado.
      Mas enfim: de agora ou de antes, eu realmente acho que tem caroço nesse angu!

  4. Eu F. alho disse:

    Na boa acho que tremeu ao não querer citar o nome do argentino o considerado ‘playboy” na ilha ahaha maioria conhece a história de uma briga envolvendo na época então Prefeito Amim ….

    • Léo Ramos disse:

      Antes fosse; mas na realidade, não faço a menor ideia mesmo de quem é o cidadão, não sei o mesmo o nome dele. Faz muito tempo; e eu também não tinha motivos pra decorar o nome de todo mundo que eu atendi no cartório à época, né? hehe
      Mas se quiser citar o nome dele aqui, fique à vontade… é até uma boa, já é uma informação a mais 🙂
      Abraço!

  5. Aline T disse:

    Gente, o cartório não achou nenhum documento. Vocês sabem como pesquisar? número de inscrição, nome do proprietário??

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