Das memórias que não se apagam

Hoje passei em frente à minha antiga casa, onde eu vivi não menos do que 25 anos da minha vida. Vi um movimento grande, gente mudando pra lá. Caixas, escadas, alarmes sendo instalados, vigilância eletrônica, garagem ocupada. Movimento, enfim.

Horas depois, passei novamente em frente à casa e vi um rapaz sentado na garagem. Notebook no colo, cigarro aceso. Luzes da casa todas indicando que havia outra rotina, outra vida, ali onde eu cresci, fiz meus primeiros barulhos – que ousei chamar de música, até -; onde tomei alguns dos meus memoráveis porres com o Eduardo, João, Fred e tantos outros – e caía dormindo logo em seguida no meio da festa, deixando algum bom amigo a cargo da chave do portão; onde vi nascer minha amada irmãzinha Sofia e vi crescer a Bruna, minha meio-prima-meio-irmã; onde vivi minhas perdas mais tristes, que até hoje me rasgam um pedacinho da alma; mas onde, em contrapartida, recebi gente do naipe do Negão e do Elton, que nos últimos 10 anos me deram uma outra noção que é a amizade; onde eu tive, durante muitos anos, a parceria dos meus pais – antes com a minha mãe, Dona Dê; e hoje na pele do Seu Antonio e da Marlete – pra todo tipo de maluquice que eu inventava.

Eu poderia passar a noite toda descrevendo o que eu senti no tempo todo em que vivi naquela casa, e o quanto as lembranças que carrego de lá me são valiosas. Eu poderia citar cada fase da minha vida, que eu consigo facilmente discriminar, mas não é preciso.

Eu só preciso dizer que, por mais mesquinho que seja esse sentimento por um amontoado de concreto, eu senti a minha vida um pouquinho invadida, o coração um pouco partido, com aquele cidadão na garagem.

E que, chorando sinceramente quando vi aquela cena, notei que quando digo pra alguém “não posso, agora eu tenho que voltar pra casa!”, é a imagem daquele montinho de concreto e tinta branca que me vem à mente.

Saudade.

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