Epitáfio #1

E quando eu abotoar de vez o paletó, escrevam na minha lápide:

“Deixou tanto tudo pra depois, que quase que morre só amanhã.”

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Das crianças e seu mundinho engraçado

Sou vizinho de porta de uma família de propaganda de margarina. Um tiozinho de certa idade, uma senhorinha muito simpática e uma menininha que é um doce: não grita, não esperneia, e sempre que a gente pega elevador junto ela vem “batendo papo” comigo, do alto da sua sabedoria de 3 anos de idade.

Saio pro trabalho no mesmo horário que ela está indo pra escolinha dela, então sempre pego elevador com ela. Às vezes eu saio de casa com um docinho qualquer pra dar pra ela, pra desespero da mãe dela. Enfim: a mini-vizinha é minha amiga, e eu realmente morro de rir com as palhaçadas daquela criaturinha.
Eu não sei o nome dela, mas eu costumo fazer amigos na faixa etária de 1~4 anos por algum motivo que desconheço. Deve ser a idade mental semelhante.

Enfim… hoje de manhã cedo eu parti o coração dela.
Saí um pouco mais cedo que de costume, e meio atucanado, porque precisava pra tirar / colocar algumas tralhas no carro.
A mãe estava no hobby box do meu andar, que fica ao lado do meu apartamento. E ela passeando por ali, ao redor da mãe, meio desatenta pro mundo.

Eis que o desatento da história era eu, na verdade; e ao sair do apartamento com uma caixa na mão, não percebo que ao caminhar eu esmaguei com a sola da bota o pobre periquito que a menina tinha como bichinho de estimação.

E pelo amor de deus, a cara de desespero dela me fez sentir como se eu tivesse matado a mãe dela!

(Sim, eu também estranhei; mas o periquito não voava, fui saber depois.)

Ela abraçava a mãe, chorava pelo periquito, e eu num misto de tristeza e vergonha pela burrice de esmagar o pobre do bichinho.

Meio sem saber o que fazer, morrendo de vergonha, saio correndo rumo à agropecuária ali perto. A ideia: comprar outro periquito e tentar conter as lágrimas da minha amiguinha.

Retorno pra casa munido de um periquito qualquer. Pras cores que eu vejo, ele era lindo – só tinha um pequeno problema na cabeça – meio carequinha num pedacinho no topo da cachola.

Toco a campainha e entrego a caixinha pra ela. Ela abre a caixinha, toda faceira, pega o periquito e repara logo na tampa desfalcada do crânio do bichinho. Eu já esperava uma reação do tipo “mãe, esse aqui veio estragado”. Ao invés disso, ela faz um sorrisinho maroto, olha pra trás pra mãe dela e dispara:

“Olha, mamãe! Careca e feinho igual ao papai!”

E se essa criaturinha largando uma dessas logo cedo não pode fazer o meu dia melhor, o que mais poderia?

Bom dia, seus careca feinho igual ao papai!

Atendimento em Floripa – a ladainha de sempre

O mau atendimento em Floripa não cansa de me surpreender.

1- eu levei 2 meses escolhendo o serviço a ser prestado;
2- eu insisti pra fazer o contrato há 3 semanas atrás, e o cara me pede pra fazermos depois da virada do ano, e que entraria em contato pra isso;
3- como ele não o fez, vou eu em busca do tal;
4- ao chegar lá, vejo que o horário a mim reservado já estava preenchido;
5- consegui acertar um outro horário disponível, desde que pudéssemos iniciar na mesma semana do acertado anteriormente;
6- ele ignora absolutamente o que eu digo e marca pra semana seguinte.

Sério, gente, é tão difícil assim prestar um serviço que preste nessa cidade? Qual é a dificuldade em OUVIR o cliente, caceta?

Na boa, é
– O serviço que eu quero;
– Na empresa que eu escolhi;
– Com o preço que eu esperava.

Mas prefiro ver as empresas dessa terra todas fechando as portas que continuar pagando pra ser ignorado.

Blé.

Chore como um bebê: a última cena de “The Fresh Prince of Bel Air”

Sobre a morte do ator que fazia o Tio Phil na série “The Fresh Prince of Bel Air”:
eu não conhecia nenhum outro trabalho dele, então não vou fazer um discurso meia boca sobre o quanto a minha infância está destruída, porque não está.

Entretanto, especialmente pela atuação dele e do Will Smith, há dois episódios da série que são de fazer chorar como uma menininha o mais bruto dos trogloditas: os dois últimos episódios da sexta temporada – e também da série (“I – Done, Part I” e “I – Done, Part II”).

No primeiro episódio, os primos já estão prontos para suas respectivas mudanças por conta dos estudos. A princípio, os demais da família ficariam na California, mas Tio Phil decide se mudar também. E é aí que a coisa fica triste.
Cabe a Will conseguir um apartamento às pressas, porque a casa seria vendida. Ele não consegue, mas mente à família que sim. Tio Phil, então, gentilmente pressiona Will para que conte a verdade – e ao final é ele quem consegue um apartamento para o Will.

Isso já seria o suficiente, mas ainda há o episódio final, em que acontece a clássica cena de cada um dos moradores indo embora e passando pela sala, cumprimentando Will enquanto ele rememora tudo o que queria ter feito e não fez desde que foi morar ali.

O último a sair é justamente o Tio Phil, e a mensagem de despedida dos dois é justamente a que me faz suar as pálpebras até hoje.

Sério: é impossível não chorar. Nem tente.