Caminhos, descaminhos e um blues descabido

Eu preferia não passar mais por ali,
os olhos buscam sempre o tempo que vivi
e feito maquina do tempo eu me virava
buscava em sonho a vida simples que eu amava

Janela fria, alumínio escurecido
guarda um passado que finjo ter esquecido
me engano enquanto passo o tempo a me esgueirar
por entre dor, ansiedade, rancor, pesar

Não era nada, só um vulto na janela
o escuro dos cabelos dela a cintilar
e eu tinha a leve intuição que lá de dentro
alguém me via, contramão do meu olhar

E não importa o que houver, não abra a porta
se eu inventar de tocar a campainha
resista sem ceder a qualquer coisa que eu disser
faça mais força pra fechar que eu pra bater

e segurando forte, feche os olhos
e não respire muito forte, por favor
pra eu não ouvir sequer o som da tua vida
pra eu não lembrar por um segundo o teu calor

pra eu esquecer de vez daquele tempo de agonia
pra eu fugir do furacão em que me pus
porque hoje eu sei, ao te ver pela janela
não és mais nada;
Eras amor, viraste um blues.

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