Da vida em prosa

Porque aperta tanto o peito
um amor ora desfeito
que já nem tinha razão?

Porque a tristeza, a agonia
de um amor que à revelia
me tratava com desdém?

Porque, por mais que eu chore
não esqueço um amor tão pobre
de carinho e compaixão?

Por mais que agora no fim,
eu diga “melhor assim”
porque sofro por saudade?

Porque, no olhar derradeiro
Ainda sofro por inteiro
por alguém que era só metade?

Será vaidade ou medo
(que sempre guardei em segredo)
de morrer sozinho, então?

Porque a dor lancinante
De se perder um amante
Que já nem possuía mais?

E agora, talvez entenda
numa auto-reprimenda
que o mundo não é gentil

Que romance nasce e morre
(e termina sempre em porre)
de forma nada sutil

E agora, talvez eu veja
que no fim, qualquer que seja
não era desamor que doía

É que pra quem tem coração
A vida é escrita em prosa
E esperança é só poesia.

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