Sobre não se esconder de si (ou “Cale a boca”)

Não se manifestar sobre um tema, não dar sua opinião, não te faz uma pessoa menor. Dar uma meia opinião, sim.

Falo especificamente sobre os temas sobre os quais você, voluntariamente, decide opinar.
Uma opinião, ao contrário de uma mensagem, não precisa de um receptor para fazer sentido. É algo seu, que já existe, e que você sente necessidade de externalizar. 
Numa opinião, o receptor é um ser voluntário – e isso muda tudo; você não pode se dar ao luxo de ser “meio-você”.

Se você pretende dar sua opinião, agarre-se a ela e não se permita sentir-se ofendido pelo que vem a seguir, tampouco sinta-se diminuído ou desencorajado por sua opinião desagradar ou parecer ofensiva a pessoas que você ama. 
É a sua opinião, seu pensamento, sua essência. Se o seu medo ou vergonha são maiores que isso, ou você não está seguro de sua opinião, ou não é seguro sobre o que você é.

Em ambos os casos, é melhor ficar calado.

Mas se você não se esconde atrás da cortina do medo e da vergonha como uma criança, que deixando os pés à mostra, se esconde apenas de uma ideia, não se permita o anonimato; a institucionalização do seu nome; o uso de pseudônimos (exceto para – no contexto social em que seja estritamente necessário – falar sobre temas legalmente proibidos) e as meias-palavras.

São artifícios baixos, dignos apenas de enroladores, canalhas, velhacos e mentirosos.

Se você tem essa vontade e/ou necessidade íntima de se expressar, assuma os riscos e ônus de ser quem você é. 
Ou cale-se.