Das hashtags e dos Capachos da Moral: #AgoraEQueSaoElas

Sobre a hashtag #AgoraEQueSaoElas e a intervenção (inútil, digo de antemão) social por ela proposta:

(Pra quem não sabe do que se trata: um colunista qualquer, um jornalista, ou qualquer zebra que escreve por aqui – do sexo masculino – deve ceder seu espaço para que uma mulher escreva em seu lugar durante uma semana. A justificativa é que as mulheres precisam de mais voz, pois não a possuem a contento na sociedade.)

Estas mulheres escrevendo no espaço de outras pessoas tem seus próprios espaços. Se não são lidas ou se são pouco ouvidas, a explicação é simples: não foram capazes de alcançar leitores ou ouvintes, e isso é incompetência em algum aspecto – divulgação, apresentação, forma ou conteúdo – e o sexo não tem nada com isso. Cabe a quem comunica atingir o seu público; ninguém lhe deve atenção só por sua condição, qualquer que seja ela.

O espaço está aí, pra qualquer criatura parcamente letrada escrever o que lhe der na veneta (exatamente como eu faço aqui para meia dúzia de amigos). Na internet, em periódicos de grande circulação, e até em palanques públicos. Façam uso à vontade, como já o fazem há muito tempo. Não é preciso calar ninguém pra isso.

Reclamar que as mulheres não tem voz num país em que a representante maior da nação é uma mulher, e que vem a público discursar dia-sim-dia-não (mesmo falando aquele caminhão costumeiro de asneiras) é cair no precipício do ridículo.

Só é preciso calar para fazer-se ouvir quando a mensagem é estapafúrdia ou quando o apelo à (suposta) autoridade é mais importante que a razão ou mérito; por conseguinte, calar a própria voz para cedê-la a alguém que tem a própria não é empatia – é subserviência.

(…)

(Mas como tudo tem um lado bom, teremos uma semana sem o Gregório Duvivier escrevendo. Gozemos deste pequeno prazer, ao menos.)